Ontem sonhei com minha ex-esposa, não sei porquê. Dizem que grande parte de nossos sonhos, têm origem em lembranças do que vivemos ou do que recordamos antes de dormir. Ambos não aconteceram, então, tal sonho foi, além de um pesadelo, algo sem associação direta, ou até mesmo indireta, que eu me recorde. Será que foi algo que meu subconsciente armou para mim como forma de me machucar ainda mais? Mais, eu digo, porque nesses últimos 7 anos, minha vida não teve nada que me fizesse me sentir verdadeira e plenamente feliz como um amor, verdadeiro, intenso, franco. Então, por que eu tive esse sonho? Ou pesadelo? Desde quando me separei, até mesmo durante minha separação, nunca, mas nunca mesmo, olhei para minha ex-mulher como vilã, como alguém que estava me machucando, mesmo o fazendo, mesmo sem saber porque, nunca, em momento algum, consegui entender tudo o que estava aconcendo, por mais que pudesse ser algo que me fizesse bem, a longo prazo, claro. Mas nunca. Sempre tive muito carinho e... amor por ela. Verdadeiro! Era feliz demais quando estav casado, ao lado dela, mesmo com as dificuldades que estávamos passando nos últimmos meses em que estivemos juntos. E, o pior de tudo: até hoje tenho sentimentos bons por ela e, quiça, ainda a amo. Sim, ainda a amo pois a Daniela que eu sempre amei, de forma incondicional, ainda vive do mesmo jeito que sempre foi para mim: nunca lembrei-me dela como vilã, como alguém que me machucou, que me feriu. Não sei porque tudo aconteceu daquela forma e isso, essa dúvida, me come pelas canelas até hoje. Como se fosse uma úlcera que se alimenta de minha carne, de baixo para cima, sem controle algum de minha vontade, em pará-la, em curá-la, inclusive. A Daniela que existe em mim, até hoje, é a mesma Daniela que me aceitou com todos os meus problemas, com todos os meus medos, defeitos e fantasmas, ainda em 2009, quando nos conhecemos. Será que eu tenho de lembrar dela como uma mulher que não me vale mais nada? Como alguém que ainda não merece meus sentimentos mais verdadeiros e carinhosos? Só porque muitos dirão que eu já deveria tê-la esquecido? Tentei. Tento. E tentarei. Mas seu fantasma ainda me presegue, mesmo depois de todo esse tempo. E não tenho vergonha em dizer tudo isso. Que se foda quem possa me dizer que devo esquecer dela, definitivamente. Eu não lembro, acreditem. Não me esforço para que isso aconteça, mas acabo lembrando dela e, quando isso acontece, sempre me vem à mentte, tudo de bom que ela foi pra mim. Tudo o que ela fez por mim e o que fizemos juntos. Eu, ela, nossos cães. Nossa casa, nossas coisas, nosso dia-a-dia. Nossa família. Ninguém neste mundo conseguirá imaginar o quanto eu quis construir uma casa, uma família com filhos, com sonhos juntos, com objetivos a serem conquistados, com desejos de uma vida juntos, até meu último dia de vida. Ninguém conseguirá dimensionar o quanto eu era feliz só pelo fato de estar com ela. Todas as noites eu me deitava me sentindo leve, pleno, seguro... tranquilo. Nada era fácil, mas isso não importava. O que realmente importava era estar ao lado dela, em nossas palhaçadas juntos, na forma em que ela me olhava, em tudo o que compartilhávamos, e na rotina extenuante de uma vida de casados, mas que, por outro lado, era sensacional. Eu tinha tudo, e sabia disso. Tinha plena ciência de que eu era um felizardo em viver junto a ela com tudo o que estávamos, aos poucos construindo. Faltavam coisas? Sim, claro. Nem sempre temos tudo o que queremos. A vida é assim. E eu sabia disso. Sabia. Muito. Hoje, estou sozinho, sem ela, sem meus objeetivos de vida que tínhamos: uma casa na praia, ou no campo. O mínimo denominador-comum: sempre estarmos um ao lado do outro e, vivermos juntos, em batalharmos juntos. Hoje, assim como há 7 anos atrás, não vivo mais isso. Aliás, não vivo mais. Mal sobrevivo.